Comitês em Ação

Mostra África, Cinema no Centro Cultural Ação da Cidadania

Pequena África Carioca comemora o mês da consciência negra com mostra de filmes e oficinas que homenageiam o cinema africano

Em  comemoração  ao  mês  da  consciência  negra  a  Laffilmes  Cinematográfica,  em  parceria com o Centro Cultural Ação da Cidadania, apresenta uma versão reduzida da  mostra “África, Cinema – Um Olhar Contemporâneo”, com oito  filmes dos principais  nomes do cinema atual realizados na chamada “África Negra”, região ao sul do Saara,  uma  das  mais  carentes  do mundo.  Apesar  de  não  ter  tradição  de  produção  cinematográfica,  os  filmes  locais  têm surpreendido  o  público  e  crítica  em  festivais  internacionais.  A  exposição  acontece  nos  dias 19  a  22  de  novembro  (quinta?feira  a  domingo), serão exibidos dois  filmes por dia, nos horários de 17h e 19h no cineclube do Centro Cultural Ação da Cidadania. O valor do ingresso é 2 reais a inteira e 1 real meia?entrada.

O  evento  tem  o  intuito  de  promover  o  debate  sobre  o  atual  momento  do  cinema  africano,  que  vem  ganhando  destaque  no  cenário mundial.  Esse  foi  um  dos motivos  que construíram para  a  mostra  aportar  em  uma  região  considerada  um  pedaço  da  África no Rio de  Janeiro. A pequena África compreende os bairros: Gamboa e Saúde.  Onde se encontra a comunidade remanescentes de quilombos da Pedra do Sal e Santo  Cristo. Local que está situado o Centro Cultural Ação Cidadania, que promove diversas  atividades culturais. 

Além da exibição de oito títulos, o evento também oferece duas oficinas que tratarão  das experiências contemporâneas no cinema africano, ministradas pelas professoras e  pesquisadoras Janaína  Oliveira  e  Janaína  Damasceno,  coordenadoras  do  Fórum  Itinerante  de  Cinema Negro  (FICINE).  Elas  apresentarão  análises  sobre  as  diferentes  estéticas  presentes  nos filmes  africanos  atualmente  através  de  textos  e  imagens,  considerando  os  contextos  das produções  no  cenário  da  história  do  cinema  e  da  fotografia na África. 

Outro tema tratado será a circulação dessas produções, com ênfase no papel que os  festivais  na África  e  na  diáspora  desempenham.    De  maneira  simples  e  direta,  as  oficinas  atendem não  só  a  estudantes  de  cinema,  pesquisadores  e  profissionais  da  área, bem como a  todo e qualquer interessado em conhecer mais o  rico universo do  cinema africano. 

Entre os filmes em destaque que irão ser exibidos estão Virgem Margarida (2012), de  Licínio Azevedo,  brasileiro  radicado  em  Moçambique  e  um  dos  nomes  mais  importantes  do cinema  deste  país;  e  Viva  Riva!  (2010),  de  Djo  Munga,  que  foi  comparado à Pulp Fiction e Cidade de Deus quando foi exibido no Festival de Berlim.  A mostra África, Cinema – Um Olhar Contemporâneo conta com o apoio do Fórum  Itinerante do Cinema Negro (FICINE), da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil  e do Institut Français.  

Pesquisadoras que ministrarão as oficinas: 

Janaína Oliveira: professora e pesquisadora, doutora em História pela PUC?Rio  e professora desta disciplina no IFRJ – Campus São Gonçalo, onde coordena o  Núcleo  de  Estudos  Afro?brasileiros  e Indígenas  (NEABI).  Realiza  pesquisas  centradas na reflexão sobre Cinema Negro, no Brasil e na diáspora, e sobre as  cinematografias  africanas,  sempre  buscando  conexões  que  possam incidir  na  área das  relações étnicorraciais. Realiza curadoria para  festivais e mostras de  cinema no Brasil e no continente africano. É uma das coordenadoras do FICINE  ? Fórum Itinerante de Cinema Negro. 

Janaína  Damasceno:  professora  adjunta  da  Faculdade  de  Educação  da  Baixada  Fluminense da  Uerj  em  Duque  de  Caxias,  doutora  em  Antropologia  pela  USP  e  graduada em Filosofia pela Unicamp. Em seu pós?doutorado investigou a formação de  arquivos  visuais  e  audiovisuais da  luta  contra  o  racismo  na  África  do  Sul,  Estados  Unidos  e  Brasil.  É  uma  das coordenadoras  do  FICINE  ?  Fórum  Itinerante  de  Cinema  Negro.  Resumo das oficinas:  

Na oficina “Para além de Nollywood: experiências contemporâneas do cinema de  autor autoral africano”, Janaína Oliveira vai abordar algumas das temáticas  contemporâneas relacionadas ao fazer filmes no continente africano para além da  experiência contemporânea do cinema popular produzido na Nigéria. 

Na oficina “Conexões entre o Cinema e a Fotografia Africana: experiências de contra  representação”, Janaína Damaceno vai explorar o universo da fotografia africana e  suas conexões com o cinema africano de autor.  

Programação

Dia 19, quinta

15:00 - Exame de Estado  (Examen d’Etat), de Dieudo Hamadi. Congo/França/Senegal,  2014. Colorido,  92  minutos.  10  anos.  O  documentário  acompanha  um  grupo  de  estudantes angolanos  que  vão  prestar  o  Exame  do  Estado,  equivalente  ao  ENEM  brasileiro, em Kisangi, República Democrática do Congo. O  filme investiga a educação  no Congo. 

17:00 - Hoje (Aujord’hui), de Alain Gomis. Senegal/França, 2012. Colorido, 86 minutos.  14 anos. Mostra Competitiva ? Festival de Berlim. Satché é um senegalês que volta ao  país  após  uma temporada  nos  Estados  Unidos  e  descobre  que,  condenado  a morte,  aquele  será  o  último dia  de  sua  vida.  O  personagem,  então,  se  dedica  a  visitar  personagens do seu passado.  

19:00 - Oficina “Para além de Nollywood: experiências contemporâneas do cinema autoral  africano”, com Janaína Oliveira. 

Objetivo da oficina é abordar algumas das temáticas contemporâneas relacionadas ao  fazer filmes no continente africano para além da experiência contemporânea de  Nollywood, cinema popular produzido na Nigéria. Apesar da sua fragilidade  econômica, dos desafios estruturais e da invisibilidade para o público, a tradição de um  cinema autoral africano permanece um campo vibrante e promissor. Serão explorados  na oficina dois caminhos contemporâneos nos quais podemos perceber algumas  questões que permeiam as produções desta tradição.  

Dia 20, sexta

17:00 - Kalala, de Mahamat?Saleh Haroun. Chade, 2005. Colorido, 52 minutos. 14 anos.  Kalala era o apelido  de Hissein  Jibreen,  colaborador e amigo  íntimo  do  cineasta  que  morreu em 2003, vítima da AIDS. O documentário é uma homenagem ao amigo, mas  também uma reflexão sobre a memória e a doença. 

19:00  - Nossa Estrangeira  (Notre Étrangère),  de Sarah Bouyain. Burkina Faso?França,  2010. Colorido, 82 minutos. 12 anos. Amy mora em Paris e após a morte do pai retorna  a Burkina Faso, seu país natal. O objetivo é encontrar sua mãe de quem  foi separada  aos  oito  anos  de  idade. Mas  no  contato  com  a  família  materna  descobre  que  um  segredo envolve essa separação. 

Dia 21, sábado

15:00 - Viva Riva! de Djo Munga. Congo/França/Bélgica, 2010. Colorido, 98 minutos. 16  anos. Mostra Fórum – Festival de Berlim. Viva passou dez anos vivendo fora do Congo,  seu país natal, e ganhou dinheiro traficando gasolina. Mas logo na sua primeira noite  de volta a capital Kinshasa, fica encantado com a bela Nora, dançarina mantida por um  gangster local. E outro bandido fica interessado no carregamento do combustível que  Viva traz consigo. As confusões não demoram a acontecer... 

17:00 - Poeira Urbana (Poussières de Ville), de Moussa Touré. Congo/França/Senegal,  2001. Branco  e  Preto/Colorido,  52  minutos.  12  anos.  O  cineasta  senegalês  Touré  descobre um grupo de crianças que passam a noite no mercado de Brazaville, capital  da  República  do  Congo, e  passa  registrar  suas  andanças  pela  cidade  em  busca  de  comida e de pequenos trabalhos.  
19:00 - Sotigui Kouyaté, Un Griot Moderne, de Mahamat/Saleh Haroun. Chade/França,  1997. Colorido,  58 minutos.  12  anos.  Sotigui  Kouyaté  nasceu  no Mali e  desenvolveu  carreira na Europa, radicando?se em Paris. Atuou em filmes e peças teatrais, e tornou? se  o  mais  conhecido ator  africano.  Após  30  anos  de  ausência,  Kouayaté  em  1996  retornou a sua cidade natal para as comemorações de seu 60° aniversário e o diretor  Haroun registrou a viagem do ator. 

Dia 22, domingo

16:00  - Oficina:  “Conexões  entre  o  Cinema  e a Fotografia Africana:  experiências  de  contra representação”, com Janaina Damasceno 

O  objetivo  da  oficina  é  apresentar  o  trabalho  de  alguns  dos  principais  nomes  da  fotografia  africana  contemporânea,  em  especial,  da  África  do  Sul  (Peter  Magubane,  David Goldblatt,  Santu  Mofokeng,  Alf  Khumalo,  Bob  Gosani,    Zanele  Muholi),  da  Nigéria (Rotimi Fani?Kayode, J.D. Okhai Ojeikere, Andrew Esiebo, Aisha Augie?Kuta)) e  do Mali (Malick Sidibé, Seidou Keita), e suas conexões com o desenvolvimento de um  discurso de modernidade africana conectado com o cinema africano de autor.   

19:00  -  Virgem  Margarida,  de  Lícínio  Azevedo.  Moçambique/França/Portugal,  2012.  Colorido, 87  minutos.  12  anos.  O  filme  se  passa  no  período  pós?independência  de  Moçambique quando  os militares  da  Frelimo  (Frente  da  Libertação  de Moçambique)  assumem o poder e resolvem limpar as ruas das cidades levando à força as mulheres  de “má vida” para um campo de reeducação  social. Margarida, de 16 anos, é levada  por engano quando comprava o enxoval para seu casamento. 

Mostra África, Cinema 

Data:  de 19 a 22 de novembro de 2015 (quinta?feira a domingo) 
Horário: Consultar programação 
Local: Centro Cultural Ação da Cidadania 
Endereço: Avenida Barão de Tefé, 75, Gamboa
Ingressos: 2 R$ inteira e 1 R$ meia?entrada.  
Lotação: 50 lugares 
Classificação Indicativa: consultar programação 
Apoio: Fórum Itinerante do Cinema Negro (FICINE), Cinemateca da Embaixada da  França no Brasil e do Institut Français 
Realização: Laffilmes Cinematográfica e Ação da Cidadania

Notícia publicada em 18.11.2015