Inclusão Social

Mudança, aperfeiçoamento e plenitude: educação e o bem comum na pólis

Por Jeniffer Barboza, pedagoga da Ação da Cidadania

Aristóteles

É inegável a existência da crise de valores morais e éticos que tem sido vivenciada na modernidade. Este contexto apontado pelo filósofo MacIntyre (2001) é decorrente de um estado de emotivismo, ou seja, os seres humanos tem vivido entorno de seus próprios interesses e prazeres, desprezando as práticas que geram o bem comum. A autora brasileira Sucupira Lins (2007) atribui à Educação um papel importante na intervenção da crescente dificuldade, pois a mesma não se restringe a uma discussão distanciada da realidade, mas pelo contrário se apresenta como uma preocupação social e política, na qual a questão da aprendizagem moral cresce e se torna central. No que tange à relação entre educação e mudança social, o pensador Veugelers apresenta o seguinte olhar:

“Através da educação, o governo tenta organizar a sociedade, talvez não em detalhes, mas há uma política cultural por meio de educação. Nos recentes tempos modernos, educação realmente é o único instrumento remanescente para a socialização que a sociedade pode empregar numa ampla escala com vistas a influenciar a reprodução e transformação da sociedade. ” (VEUGELERS, 2000, P.2)   

Ética e moral envolvem valores essenciais para a convivência em comunidade. Portanto, a reflexão e prática destas não podem estar ausentes na formação do ser humano desde a infância. Tendo em vista que o comportamento ético não é um dado intrínseco a nenhum indivíduo, mas sim algo adquirido por processo de aprendizagem, sejam estes aleatórios ou planejados, como afirma Sucupira Lins (2007).  Além da contribuição intelectual, a educação deve exercer a missão de desenvolver práticas que possibilitem a vivência de princípios morais. A fim de que ao final deste processo educacional o indivíduo esteja pleno intelectualmente, provido de julgamento moral, que saiba agir eticamente e desenvolva sua vivência visando o bem comum. Por essa argumentação, entende-se que a Educação não pode ser desvinculada da formação ética do indivíduo. 

O homem é um animal racional (ARISTÓTELES, século IV a.C.), possuidor de cultura, cuja espécie só subsiste com o progresso da sociedade, da civilização, incluindo-se neste o desenvolvimento ético e moral. Nisso se identifica a importância da educação, pois os três sentidos são perpassados pelo eixo de mudança, aperfeiçoamento e plenitude. Estes se referem às transformações do estado do indivíduo, o qual trará influência para a convivência social e desenvolvimento da comunidade. O ser humano não pode progredir intelectualmente e moralmente, caso não seja auxiliado pela experiência coletiva, por isso a importância do ensino/aprendizagem de ética. Esta se caracteriza principalmente pelo trabalho realizado com a prática de virtudes e valores, não de forma abstrata, mas na concretude dos traços culturais próprios da sociedade.

Jeniffer Barboza é pedagoga da Ação da Cidadania.

Notícia publicada em 01.12.2015