Comitês em Ação

Brasil atual e desafios para a sociedade civil

Este foi o tema da roda de conversa de fevereiro

O atual contexto sócio-político do Brasil e os principais desafios para a sociedade civil foi o assunto do primeiro encontro mensal realizado junto às lideranças comunitárias na Ação da Cidadania, no dia 08 de fevereiro. O sociólogo Gustavo Santana e Rodrigo Mondego, advogado militante de Direitos Humanos, inspiraram o diálogo a partir de suas experiências cotidianas junto às populações invisibilizadas.

A fim de contextualizar os participantes da roda de conversa sobre o atual cenário sócio-político de um país em crise, os mediadores realizaram um retrospecto desde a Constituição de 1988, ressaltando, inclusive, a participação imprescindível das lideranças comunitárias pertencentes à rede da Ação da Cidadania na luta por conquista de direitos. Ao chegar aos dias atuais, a realidade revela-se de forma assustadora. A sociedade brasileira vive um momento histórico em que se depara com crises nas diferentes esferas e processos altamente danosos aos direitos humanos.

O retorno de 519,5 mil famílias à pobreza até o final deste ano, o estado crítico de polarização ideológica, o enfraquecimento do diálogo entre os movimentos sociais populares, a ausência de credibilidade na política partidária provocando negação aos atos políticos e o desmonte de políticas públicas foram os principais desafios a serem enfrentados pelas organizações de luta popular apontados pelos presentes.

Após a compreensão dos fatos, partindo do entendimento sobre as dimensões sociais e políticas dentro de um universo de conflitos, antagonismos e contradições, o grupo se ateve ao seguinte questionamento: Qual é a responsabilidade da sociedade civil organizada frente a este caos? Tal ação proporcionou a análise sobre as práticas das organizações de base, que possibilitaram o surgimento de tamanho retrocesso num país que outrora seguia passos iniciais rumo à democracia social e política.

A Roda de Conversa que deu início ao ciclo de 2017 trouxe inúmeras inquietações necessárias para que o conformismo não nos derrote. Para além das reflexões sobre o atual contexto, é necessário um real comprometimento na construção de outra realidade. O grupo conclui o diálogo ressaltando a importância do retorno à ação estratégica e coletiva no sentido de interligar as lutas concebendo ações capazes de restabelecer os rumos democráticos do país.

Notícia publicada em 16.02.2017