Comitês em Ação

Cultura do Rio declara apoio à Ação da Cidadania

Será criado um fórum para propor uma política pública para a área

Diversas entidades culturais apoiam a Ação da Cidadania

Diversas entidades e movimentos culturais do Rio declararam apoio à permanência da Ação da Cidadania no galpão que ocupa desde o ano 2000, onde a Secretaria de Cultura do município planeja construir o Museu da Escravidão e da Liberdade (MEL).

Em encontro no dia 22 de maio, Daniel Souza, presidente do conselho da Ação da Cidadania, expôs todos os acontecimentos e a luta da instituição que durante anos reivindica junto à Secretaria de Patrimônio da União a cessão definitiva do espaço, cedido pela então primeira dama Sra. Ruth Cardoso. O prédio, que estava em ruínas e em um local há muito abandonado pelo poder público, recebeu, em valores atuais, quinze milhões de reais de investimento, captados em empresas privadas.

Construído em 1871 pelo primeiro engenheiro negro do Brasil, André Rebouças, o Cais Dom Pedro II, atual Galpão da Cidadania, fica localizado em frente ao Cais do Valongo, porto de chegada de centenas de milhares de africanos escravizados. A Ação da Cidadania, desde o início da ocupação do prédio, realiza projetos para que essa história não seja esquecida, como o espetáculo musical André Rebouças, o Engenheiro Negro da Liberdade, e o projeto Docas Dom Pedro II – Um Patrimônio da Região Portuária a Revelar, que contou com exibição de filmes, exposição fotográfica e debates com pesquisadores. Também faz parte dos planos da entidade a construção do Museu da Diáspora Africana, que já conta com intenção de patrocínio de um instituto de pesquisa.

Diante deste histórico e do interesse da secretaria de cultura no MEL, a Ação da Cidadania buscou de todas as formas a criação de uma parceria para a construção deste importante espaço de discussão e educação, mas, infelizmente, não houve acordo, e o interesse da secretaria é expulsar do prédio uma entidade que contribuiu para que o Brasil deixasse o Mapa da Fome da ONU em 2014.

Depois de narrar estes acontecimentos, as entidades culturais presentes na reunião declararam apoio à Ação e um plano de resistência começou a ser formulado. Entre as atividades, um fórum com ampla participação da sociedade para criação de uma política de cultura para o município e o estado.

Mercedes Guimarães, do Instituto Pretos Novos, leu em primeira mão a carta na qual se desliga do grupo de trabalho do Museu da Escravidão e da Liberdade por discordância da forma como o processo tem sido conduzido.

Mais um encontro foi marcado, no dia 5 de junho, para apresentação do rascunho do fórum.

Estiveram presentes o Movimento Pela Cultura, Reage Artista e Angel Vianna, Instituto Fayga Ostrower, Instituto Pretos Novos, Armazém Cultural, Grupo Moitará, Ocupa Escola, Cia de Mystérios e Novidades, Fórum de Arte Pública, Escravos da Mauá, Cia de Dança Esther Weitzeman entre outros.

Notícia publicada em 23.05.2017