Comitês em Ação

Criada a Rede de Resistência à Intervenção Militar

Diversas entidades sociais aprovaram a Rede no Fórum Cívico de Seguraça

Fórum Cívico de Segurança

Foi com a plateia cheia de representantes de organizações sociais do estado, advogados, jornalistas e especialistas em segurança que foi criada na terça, 20 de fevereiro, a Rede de Resistência à Intervenção Militar. O Fórum Cívico de Segurança, organizado pelo Observatório das Favelas, Redes da Maré, Agência de Notícias das Favelas entre outras entidades, aconteceu no Circo Crescer e Viver.

A ideia inicial era aprovar um documento com orientações de como a ocupação deveria ocorrer, objetivando a defesa dos direitos dos moradores de áreas vulneráveis e redução de danos, como a criação de ouvidorias em locais de fácil acesso para apurar abusos, a proibição de mandatos coletivos, divulgação dos métodos de operação entre outros pontos. Entretanto, o documento não foi aprovado, já que a maioria achou que poderia funcionar como uma ratificação ou regulamentação da intervenção, ação esta rechaçada pela unanimidade presente.

A partir deste ponto, foi criada a Rede de Resistência à Intervenção Militar, cujas ações serão discutidas nos próximos encontros.

Intervenção aprovada

No mesmo horário, em Brasília, senadores votavam e aprovavam o decreto assinado pelo presidente Temer na última sexta (16) e que já tinha tramitado na Câmara Federal. Até o dia 31 de dezembro, o interventor general do exército Walter Souza Braga assumirá o controle das polícias militar e civil, bombeiros e do sistema carcerário do estado.

A medida foi tomada depois dos casos de violência registrado no carnaval do Rio, entretanto, números da Polícia Militar mostram que não houve aumento significativo nestes índices com relação ao ano anterior. Como Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas possuem maiores registros de crimes, o sociólogo Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa a intervenção como uma ação publicitária com o objetivo de melhorar a imagem do presidente Michel Temer, cuja rejeição é a maior já registrada por um chefe do executivo.

Intervenção artística e legalização das drogas

Durante Fórum Cívico de Segurança, também foi observado os altos custos de operações como estas. Durante os 14 meses em que as forças armadas estiveram na Maré, entre 2014 e 2015, foram gastos 600 milhões de reais, quase um milhão e meio por dia. Com este dinheiro, seria possível realizar diversas ações de impacto nas áreas de educação, artes e saúde nos territórios ocupados.

Também foi apontada como responsável pela violência a proibição da comercialização e uso de entorpecentes. A guerra às drogas já se mostrou ineficiente, e qualquer discussão séria sobre a redução da criminalidade passa por esta questão.

Notícia publicada em 21.02.2018