Comitês em Ação

Intervenção Militar em Debate

Líderes comunitários da Ação da Cidadania debaterão a intervenção

Foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União, na quarta, 21 de fevereiro, o Decreto que autoriza a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro. Nomeado interventor, o general do Exército Walter Souza Braga Netto responderá diretamente ao presidente da república e não estará sujeito às normas estaduais.

Moradores das favelas do Rio são vítimas frequentes de abusos policiais. Na quinta, 22, a página Maré Vive denunciou em sua página no Facebook o ataque que um espaço de lazer, que pertence a um dos moradores, sofreu, sendo parcialmente destruído a marretadas por policiais. Nota enviada à imprensa pela Polícia Civil, e reproduzida por diversos veículos de comunicação, informava erroneamente que se tratava de um local do tráfico.

Invasões domiciliares sem mandados, revistas íntimas femininas realizadas por agentes masculinos e acesso não autorizado a celulares são algumas das denúncias mais comuns, que tendem a aumentar durante a intervenção militar. O chamado ‘esculacho’ também é prática comum, atos de humilhação, muitas vezes com agressões físicas, praticados contra os moradores.

Sabendo que estes abusos serão cometidos unicamente com a população pobre do Rio de Janeiro, diversas entidades sociais criaram a Rede de Resistência à Intervenção Militar, que exige o fim imediato do decreto e recolhimento aos quartéis das tropas federais. Enquanto esta exigência não é cumprida, um observatório vai denunciar todos os abusos perpetrados contra a população.

Neste contexto, a Ação da Cidadania vai realizar o evento Ocupação Militar em Debate, encontro extraordinário com as lideranças da sua rede para debater a intervenção. Serão discutidos três itens:

- Escuta dos moradores das áreas ocupadas para saber o que acham da intervenção;
- Realização de pesquisa com formulários que permitirão acompanhar a mudança de opinião ao longo do tempo;
- Criar uma rede de monitoramento, ligada à Rede de Resistência, para denunciar abusos.

As favelas não produzem drogas nem fabricam armas, itens estes que entram no país por falhas nas fiscalizações das fronteiras, de responsabilidade do mesmo exército chamado para intervir no Rio, e corrupção de agentes públicos. Além disso, estas regiões não concentram a totalidade do varejo do tráfico, que também acontece em bairros ricos. Entretanto, a única que sofre perseguição e estigmatização é a população pobre, que não é culpada e mais uma vez pagará a conta da calamidade em que se encontra o Rio de Janeiro.

O quê? Ocupação Militar em Debate
Quando? Sábado, 3 de março, das 10 às 12h
Onde? Ação da Cidadania (Av. Barão de Tefé, 75, Saúde – perto do Hospital dos Servidores e da Praça Mauá)

Notícia publicada em 23.02.2018